Tragédia. Tristeza. Desespero. Essas são algumas das palavras que podem resumir o que está acontecendo no Estado do Rio de Janeiro há mais de uma semana. De morros em morros, histórias com milhares de personagens desolados, que se pudessem escolher, com certeza não escolheriam fazer parte dos noticiários diários de todas as emissoras de TV nacional nesse momento onde o que é natural acaba se tornando desumano.
A cada imagem mostrada e a cada vídeo exibido estão estampados rostos sujos de lixo enterrado, aflitos da esperança que não acabou, emocionados diante do ente querido que foi resgatado. Pessoas comuns com vidas comuns, agora desgraçadas pela força que a natureza exerce na vida de cada ser vivente, estimulada pelo descaso humano. Desta tragédia já se contabilizam mais de 249 mortos em todo o Estado, 44 só no Morro do Bumba, em Viçoso Jardim, no Bairro de Cubango, Niterói, uma das cidades mais afetadas.
Onde existiam fazendas e chácaras há décadas, o que hoje é, ou melhor, era o Morro do Bumba, com o passar dos anos foi se tornando vizinho de um lixão, que quando desativado deu lugar a barracos, que quarta-feira a noite da última semana foi ao chão. Terra e lama juntas despencaram pelo menos 600 metros em 50 metros de extensão de encosta.
Depois de tudo isso, há quem fique acusando uns aos outros de culpado por tudo que está acontecendo. O prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira acusa a Sociedade de ter ido chegando aos poucos e se instalando no Morro. Para ele, o povo tinha que procurar uma casa de luxo para morar, quando muitas vezes não tinha nem o que comer. Além disso, diz também que não lembrava que lá existia um lixão e que não é obrigado a saber disso já que o mesmo foi desativado 1981, depois de 11 anos ativado, e ele só se candidatou pela primeira vez em 1988. Vê se pode!!
Para os especialistas a novidade de tudo isso é o fato de não ter acontecido antes, enfim, a chuva não colaborou, ou na verdade, foi mais solidária com o povo que morava naquela região. Todo esse desfecho, trágico e estarrecedor, começou a ser escrito há muitos anos e a cada ano, graças a omissão de sucessivas autoridades administrativas e políticas, foi se intensificando devido às tantas vistas grossas que fizeram para o crescimento da comunidade.
Com isso, os tantos que procuravam um lugar para fincar suas raízes foram chegando, principalmente após a inauguração da Ponte Rio – Niterói, intensificando o processo de favelização no Município. As pessoas construíram suas casas em uma terra íngreme e instável, totalmente inapropriada para moradia, um solo fofo e de cor preta, resultado da decomposição do lixo colocado ali durante anos.
Já em 2004, depois de um estudo realizado nas encostas de Niterói, o Morro do Bumba foi considerado condenado. Entrou ano e saiu ano, entrou prefeito e saiu prefeito e nada foi mudado. Um ou outro ainda tentou desocupar a área, mas o povo voltava para sua casinha, afinal, eles iam viver onde se os governantes só queriam tirar sem saber onde colocar? Até que chegou a acomodação. Pronto. Foi o fim.
Assim foi se escrevendo a história de uma terra com os dias contados que hoje clama… grita… se desespera…
Sobre o autor
Stephany Domingos
Soldado Bombeiro Militar e estudante de Jornalismo
Nenhum comentário:
Postar um comentário